É, gente… na real eu ainda não to acreditando, mas ao menos pelo que apareceu no site Design Football, um dos 9 desenhos q mandei “levou a taça”… Ainda acho estranho porque até o momento não foi divulgado no blog principal do Football Shirt culture, nem um email eu recebi me informando isso (no post de encerramento estava claro: ”the designer will be contacted by email “…) e também não brotou nem 50 pence na minha conta do Paypal, o que dirá 100 pounds… ou seja, só quando tudo isso acontecer que realmente vou ter certeza do fato, por hora, eu fico apenas com a fama… incerta. De qualquer forma já considero uma vitória não minha, mas do design brasileiro.
ra quem não viu, a “tampinha premiada” foi essa:


Eu tenho MUITA gente à agradecer, mas vou deixar isso mais pro final e vou agora pras minhas reflexões sobre o concurso, os meus desenhos , e mesmo alguns detalhes a prestar atenção para os que querem seguir as proximas competições.
Quanto à competição, eu achei que veio muito bem à calhar, já houve esse ano ou ano passado uma tentativa, num forum brasileiro sobre muckups de fazer algo do tipo, mas acho q nem saiu do papel e ficou essa lacuna,que acabou sendo preenchida em grande estilo pelo Football Shirt Culture: uma disputa mundial, com propostas das mais diversas. O legal da competições foi justamente isso, ver propostas bem criativas, umas ousadas até demais, e outras muito bem acabadas, cheia de efeitos que eu mesmo nunca conseguiria fazer no Photoshop.
O fato de eu ter ganho foi um mero detalhe, pois a disputa foi bastante acirrada, como pudemos ver no post final, e às vezes eu sinto que ganhei porque cheguei na memória emocional/visual desse povo que não tenho o mínimo contanto além de uma garrafa de Starogardzka – uma vodka que ganhei de uns mochileiros polacos…
Pra chegar a esse diferencial, tive que fazer uma pesquisa bem demorada pela iconografia deles, o que é presente no dia-a-dia polonês, seus orgulhos nacionais, tradições e outras referências, como o proprio apelido da seleção, Białe Orły (“aguias brancas” em polonês – note que os L’s são cortados…) . Tá bem que pro resto do mundo esse termo não tem significado algum, mas você tem que enxergar além da camisa, ver o que ela reresenta e pra quem ela representa. O publico-alvo de um uniforme de seleção é o seu povo, e é pra eles que o uniforme tem que fazer difereça.
Sobre a camisa em si, na real ela nem é a minha preferida. Entrou meio que de ultima hora porque por acaso eu mudei um elemento de lugar, estava trocando as cores e, quando vi, aquilo como estava deu um efeito interessante! É por acaso que surgem grandes coisas, nunca descartem de primeira um esboço.
(pra matar a curiosidade, essas abaixo são as q eu mais curti)


Minha falta de técnica nesses programas como Corel e Photoshop acabou por não me permitir fazer tantos detalhes com textura de tecidos, padronagens, golas e barras mais elaboradas. Eu até ia fazer algo melhorado, mas não deu tempo, pelo menos a idéia central eu consegui passar.
Vou comentar agora algumas decisões que tive que tomar pra chegar a esse modelo:
-Mantive o escudo que já vem sendo usado, apesar de no ultimo unforme já ter surgido um outro mais simples. O motivo? Não é porque o escudo é novo e moderno que ele substitui o brasão que mais simboliza o país, como exemplos temos Áustria, Austrália e Espanha (que ainda tira a onda de ter o escudo da federação feito por Miró e nem por isso orna o uniforme de jogo). A borda preta eu optei pra gerar maior contraste (em meio a tanto vermelho) e realçar a presença do escudo.
-Usar reproduções de bandeira ipsis litteris no uniforme, além de ser muito óbvio, ainda fica exagerado, mas já que se trata de uma bandeira pra lá de simples e a gente a aplica como fazendo parte de um template até básico, esta pode ficar bastante equilibrada. Se tirarmos a listra pequena de cima, a peça não passa de uma camisa branca com uma faixa horizontal no peito… muitas vezes MENOS É MAIS. O paradigma da Moda atual é o Minimalismo, e essa foi a proposta que a Nike nos apresentou quando chegou no mercado de futebol nos 90’s. Nada melhor do que agregar valores sutis ao básico.

-Conhecer as diferentes formas de apresentação da bandeira polaca foi um diferencial. Quando era moleque, essa forma usada para eventos oficiais na minha mente era a ùnica coisa que a diferenciava da bandeira da INDONESIA, mas depois de um tempo descobri que a bandeira-gemea da Indonésia é a de Monaco…
=P

-A pesquisa feita foi crucial para eu descobrir a técnica do Wycinanki, que é uma das coisas que mais representa a Polônia em suas artes gráficas. Introduzi-las a um uniforme que tem tradição de ser simples foi um desafio duplo. O primeiro desafio foi o proprio desenvolvimento do desenho , que me tomou horas, e ficou tão pesado que pra modificaralgumas coisas, o computador chegava a travar por 3 ou 4 minutos pra computar todos os VINTE E UM MIL PONTOS que continham o objeto (veja a imagem ao lado)! O segundo desafio foi como aplicar uma estampa assim tão detalhada sem deixar a camisa com o aspecto de um pijama. Me lembrei que a propria Nike conseguiu uma saída muito boa nos uniformes de basquete e volei de praia nessas olimpíadas, entao optei pelo baixissimo contraste, mas eu não queria o obvio, pois se eu deixasse a estampa com o aspecto retinho , ia ficar uma coisa muito barroca, quase religiosa, e portanto a minha saída

foi deixar o desenhoinclinado, prevalecendo também a assimetria e a idéia demovimento. No final das contas a única coisa que jogou contra mim foi que o plano de fundo com a estampa maximizada (uma praxe da Moda para enxergarmos a estampa em maior detalhe) acabou meio que “camuflando” a parte estampada da camisa. Sorte que pra comissão julgadora, isso não alterou o resultado…
-Falando em erros, outro tiro errado que eu dei, mas que acabou acertando em cheio foi o detalhe dos pespontos nas mangas. Uma delas eu esqueci de colorir de vermelho, mas eles adoraram a “assimetria” desse detalhe que remete à bandeira também… quando as coisas conspiram à favor, ninguém segura!

-A fonte da numeração usada foi no improviso. A Serpentine Bold foi a única que achei q pudesse lembrar um pouquinho a iconografia mais equilibrada dos eslavos, mas eu tava louco pra usar mesmo era a fonte que o Amadeus Angellilo usou nesse desenho abaixo:

O curioso da história é que ele parece ter sido criticado justamente por ter usado essa fonte ( alguem sabe o nome dela?)… mas eu ainda acho que, usando o contraste certo, ela renderia muito bem.
-No short eu optei por colocar o Swoosh na parte de trás pra dar um equilibrio maior à frente, e compensando essa realocação dobrando o logo de tamanho e o colocando justamente na perna esqueda pois essa é a perna que serve de base para a maoiria dos jogadores (destros), e sendo assim o logotipo ganha uma exposição ainda maior quando o jogador chuta… tudo deve ser pensado.


-Nas meias, eu utilizar o branco básico seria meio óbvio. Aproveitei a tendência mundial de se empregar o bege-dourado (a nova ” cor universal”) e apliquei-o lá. Já que, além de ser trabalhoso, a aplicação do escudo nas meias é uma coisa que tá saindo de moda, optei por ser bastante básico e deixei finas linhas diagonais que, não por acaso, formavam justamente a bandeira polonesa. O Swoosh foi aplicado sobre a faixa pra dar a idéia de aliança das duas instituições e a cor preta foi escolhida por causa do alto contraste com as duas cores.

-Pra concluir a “tese”, volto ao “ Białe Orły “, que eu considerei muito sem sal aplicar o termo cru, somente com a fonte lhe conferindo identidade. Sendo assim, portanto, eu “desenvolvi” um logotipo meio que adaptado, decupando alguns elementos do escudo da federação (aquele do PZPN) e harmonizando-os com o texto. Assim então apliquei as asas da águia que aparece no escudo, e sobre o texto sua coroa, como se esses três elementos estivessem “envolvendo” o “ Białe Orły”.

Bom, depois de tanta explicação ( pareceu um auto-inquérito, onde eu respondi pra mim mesmo porque carajos eu cometi essa criação…), vamos os essenciais agradecimentos (… que tá mais pra extended version de agradecimento daqueles vencedores chorões do Oscar):
Primeiramente agradeço à minha prencheta velha de guerra, ao Corel Draw e ao Natan Tozi (do blog Rascunho FC), pois daí veio a base do meu trabalho (pra quem não sabe, a forma como minhas criações são apresentadas são baseadas nos desenhos que o Natan desenvolveu).
Agradeço também o Felipe Marx e todo mundo da comunindade do Minhas Camisas, porque é lá que ta sendo o grande ponto onde trocamos déias, experiências e opiniões sobre sporstwear, e essa união tem trazido cada vez mais frutos legais, como a transformação do blog em comunidade, a organização de eventos de colecionadores… isso sem falar no quanto é bom conversar com gente tão louca quanto a gente,né? Essa vitória é dedicada à vocês.
Meu sincero obrigado à Escola de Moda Cândido Mendes, juntamente com os professores e colegas que fiz lá, que me fizeram enxergar a criação como um precesso que, apesar de subjetivo, requer muita pesquisa, experimentação, conhecimento das técnicas e, antes de tudo, muito AMOR ao que faz.
Por último , mas não menos importante, eu agradeço imensamente aos meus amigos e parentes por não terem deixado eu desanimar no meio do caminho, apesar da longa e difícil jornada que passo há quase 4 anos numa cadeira de rodas, e ainda com a esperança de voltar a andar.
ESSA VITÓRIA É NOSSA!
=D
“…chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valoooor…”