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[ESPECIAL] Literatura + Esporte + Moda + Marketing

Esse post especial é para, além de apresentar ao grande púlbico, RECOMENDAR a leitura do livro “INVASÃO DE CAMPO” à todos que gostam de saber como que toda essa paixão por uniformes esportivos começou e se tornou um negócio bilionário. 

 

No livro, lançado em 2007,  a escritora holandesa Bárbara Smit conta, de forma romanceada, como uma simples briga de família gerou uma rivalidade que não só dividiu uma cidade alemã como polarizou tal como na Guerra Fria, os grandes poderes do negócio esportivo.

 

 Uma façanha de Barbara Smit é narrar uma história longa (são umas 300 páginas) de forma envolvente, que prende a  atençao e dá vontade de ler ainda mais pra saber o que vai acontecer no próximo capítulo, isso sem contar que a história em si lhe dá outra noçao de mundo esportivo, depois de ler o livro, vejo esse mundo com olhos completamente diferentes. Não vou contar a história do livro pra não perder a graça, mas algumas coisas que posso adiantar que esse livro me esclareceu e ensinou foi:

 

-assim como a Nike surgiu numa garagem de casa, a  Adidas surgiu na lavanderia de uma, utilizando couro de botas deixadas espalhadas nos campos pelos soldados na Primeira Guerra Mundial.

-o irmão de Adi Dassler e fundador da Puma, Rudolf Dassler, foi o primeiro de sua vizinhança à se filiar ao Partido Nazista na década de 30. Será que os dirigentes da Federeção de Futebol de Israel desfizeram o contrato com a Puma e assinaram com a  Adidas depois que leram esse livro??? Do jeito que esse povo é paranóico…

-antes da Adidas, quem usava 3 listras era uma marca finlandesa chamada Karhu, mas Adi Dassler não era bobo  nem nada e, só no papo, conseguiu que eles abdicassem das 3 listras por uma merreca mais duas garrafas de birita.

-o primeiro calçado a fazer sucesso entre os  astletas americanos se  chamava “AS”, que pra gente tambémsignifica “às”, mas pros americano parecia “bunda”mesmo

-Adi Dassler era tão bom de papo que foi uma das poucas indústrias que conseguiram se infiltrar pela cortina de ferro, fornecer material para várias delegações desses países e INCLUSIVE estabelecer fábricas nesses países. Uma grande façanha pra época.

-Addas era o nome que  Adi Dassler queria registrar, mas foi impedido por já haver uma marca de calçados infantis com esse nome. E já a Puma passou a ter  esse nome porque o nome desejado por seu dono, RUDA (abreviação de Rudolf Dassler, seu criador) soava muito grosseiro.

 

-A relação da Adidas com Canadá e França é intensa não é de hoje: o Canadá foi o primeiro pais a ter um representante/forncedor da  adidas (talvez por isso que eles criaram inclusive um logotipo “exclusivo” pra eles).  A França teve importância ainda mais crucial, já que a primeira fábrica fora do país foi lá, e o sistema era tão diferente que eles desenvolviam e distribuiam seus tênis independente da sede alemã e inclusive disputavam mercado com ela. 

 

 

-O Trefoil, conhecido logotipo clássico da  adidas foi inspirado nas coroas do brasão

que aparecia na jaqueta dos atletas suecos durante uma Olímpiada. Provavelmente esse logotipo ao lado.

 

-O filho de Adi Dassler, Horst Dassler, foi o cara que fez a  empresa ser o que é hoje. Era um administrador-nato, que não mediu esforços para colocar a marca Adidas em cima das  outras, não importa que métodos fossem necessários.  Subornos, embargos alfandegários forjados pra atrapalhar concorrentes e jogadas políticas com o alto-escalão do esporte foram algumas das práticas para esmagar as concorrentes.  Só pra vocês terem idéia, o Joseph Blatter só entrou pra trabalhar na  Fifa por indicação de Horst Dassler, e não passava de um bajulador do executivo alemão…

-foi Horst Dassler quem criou o negócio milionário do Marketing Esportivo, ao abrir a companhia ISL, que teve a ótima sacada de vender  direitos de imagem e transmissão de eventos esportivos para companhias e emissoras.

-Adi Dassler era um sapateiro apaixonado pelo seu ofício, que  curtia mais perder horas desenvolvendo um novo modelo do que ficar adminstrando e fazendo sua empresa crescer. Uma das suas atitudes que hoje pode ser vistas como um absurdo, foi que ele chegou a resistir insitentemente a essa  “idéia louca de criar roupas esportivas”. Depois de muita insistência chegou  fazer alguns agasalhos só pros atletas, mas muito a contragosto. Uma outra de suas frases quanto ao tema foi algo como ” agora só vai faltar a gente fazer roupa pra natação…” . DEU NO QUE DEU…

-Em função desse  desamor de Adi pelos uniformes esportivos que na década de 70 foi feito o que pode ser considerado o acordo mais absurdo já feito na história dos uniformes esportivos. Na Inglaterra, quem era o representante das chuteiras e bolas Adidas era justamente a UMBRO, que na época só se preocupava com os uniformes. Depois 

que a Adidas resolveu fazer roupas esportivas  e tomou  gosto pela coisa, foi muito custoso pra Umbro desfazer esse contrato onde ela passoou a fornecer material da própria concorrente…

-foi um fucionário da Puma brasileira que, numa viagem para Buenos Aires, viu jogar e assinou contrato de exclusividade pra Puma  com um jogadorzinho jovem e rechonchudo chamado DIEGO MARADONA.

-A Nike quase se chamou Dimension Six, e cresceu  pelo fato das outras empresas ignorarem o mercado dos  consumidores casuais, que não são atletas profissionais. No início, chegou a desenvolver tênis bem esquisitos como um de nome “Vagina” (isso mesmo!), pois “parece  assustadora, mas a  sensação dentro  dela é ótima”, argumentava o criador… A primeira tentativa da Nike entrar no mercado do futebol foi nos anos 80, na Inglaterra. Apesar de investirem bem, ainda não tinham expertise na fabricação do artigo, e por isso algumas vezes os  atletas patrocinados pela marca terminavam a  partida com suas chuteiras completamente  descosturadas,  caindo aos pedaços em míseros 90 minutos de jogo…

-A Reebok começou a ter sucesso nas vendas ao lançar nos  anos 80 um tênis clássico pra época, que surgiu justamente ao acaso, quando a fabrica jáponesa enviou à sede inglesa a peça-piloto de um tênis com o tipo de couro  errado, bem mais fino e flexivel do que o normal.

-Nos final dos anos 80, com a Adidas em crise, QUASE QUE A FIFA IA SER PATROCINADA PELA NIKE. Já imaginaram isso? As bolas das competições,  roupas dos àrbitros…tudo com o Swoosh? 

-Nessa mesma crise, a  Adidas chegou a cometer algumas sandices para reconquistar o mercado que tinha virado mais pra moda “casual esportiva”. Nisso, chegou a lançar um tênis cujo cadarço tinha sabor (algém já se imaginou comendo ou chupando um cadarço de tênis??), e também seu primeiro comercial de TV, que foi  vetado na hora, por ter uma estética visual semelhante por demais com o documetário “Olímpia” de propaganda nazista.

-Já naquela época a Adidas era uma holding 

de  empresas, que entre elas figuram a Le Coq Sportiff (usada por horst para deschavar o crescimento absurdo da Adidas francesa), Arena (para esportes aquáticos), Pony (para esportes norte-americanos, e tempos depois ingleses) , Erima (uma marca mais  simples que por causa do poder da Adidas forneceu material pra seleção alemã durante um período) e outras.

-Durante a copa de 90 que Bernard Tapie, uma investidor excêtrico comprou a  Adidas. Ele também era dono do Olympique de Marseille, inclusive na época dos escandalo por suborno… 

-A linha  Adidas Equipment foi lançada para diferenciar os  artigos usados por atletas dos outros casuais já tão difundidos nos anos 80.

Ah, e ia me esquecendo: 

-uma frasezinha mal interpretada que foi o estopim dessa briga que tomou proporções históricas e transformou o mercado de Moda Esportiva. Ou seja, muito cuidado com o que diz…

Isso é só uma prévia do que os  espera na leitura. Imperdível.

 

PS:e pensar que eu só descolei esse livro e descobri tudo isso porque encontrei um cartão-presente da Saraiva no chão acarpetado de uma sala de cinema ,hehehe

=)

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5 Responses to “[ESPECIAL] Literatura + Esporte + Moda + Marketing”


  1. 1 alisson
    13 outubro, 2008 às 3:22 pm

    Bah, demorou pra ler esse baita livro, hein? Mas antes tarde do que nunca!
    Abraço!

  2. 2 Vinicius Vasques
    13 outubro, 2008 às 8:50 pm

    otimo post Bordallo. deu vontade de comprar o livro e ficar mais por dentro do desenvolvimemto desss marcas

  3. 14 outubro, 2008 às 1:48 pm

    Valeu a dica… vou esperar começar a Feira do Livro aqui em Porto Alegre pra comprar o meu exemplar, pois vou fazer o meu TCC sobre marketing esportivo (só não defini o tema ainda… hehehe).

    Valeu

  4. 4 Luciene
    21 outubro, 2008 às 10:50 pm

    Isso é mais que uma resenha, é praticamente um resumo! Para mim, que li o livro no ano passado, ficou a frustração de perceber que esporte é business antes mesmo do advento da globalização dos mercados e tudo mais… Eu imaginava que “antigamente” o esporte estava mais próximo do ideal olímpico, sabe como? Este livro prova que a que a cartolagem e os jogos de poder sempre estiveram presentes. Para quem ainda não leu e curte marketing e afins, é uma excelente pedida!

  5. 5 Luciene
    21 outubro, 2008 às 10:51 pm

    E adorei a pesquisa com as capas do livro em edições mundo afora!


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Esse blog é dedicado à todo tipo de roupa que tenha algo relacionado à esporte, do Cricket ao Futebol Gaélico. Esporadicamente postarei algo de StreetWear quando interessante.
Carioca, 28 anos, colecionador de sportwear há pelo menos 13 anos e cursando o 2o. ano de Moda da Universidade Cândido Mendes(RJ). Não me limito à colecionar peças de futebol apenas. Já que meu foco é antes de tudo a estética da roupa e a "wearability" (além da história e preço da peça), me intesso por uniformes de Rugby, Polo Eqüestre, Basquete, Volleyball, Hockey, Cricket, Futebol Australiano ,Futebol Gaélico e qualquer outro esporte que inventarem e tiver um uniforme bonito pra se usar por aí...
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